Quando temos consciência das nossas emoções elas podem expressas de forma
livre e sem julgamento e assim tendem a fluir sem causar muito danos a nós
mesmos ou aos outros. Porém quando não nos conhecemos realmente, ou não temos consciência
das nossas emoções podemos reprimi-las, principalmente aquelas que consideremos
negativas ou destrutivas, e a repressão emocional podem causar problemas de
saúde como os cardiorrespiratórios, distúrbios digestivos ou insônia e muitos
outros.
Ter consciência de si mesmo, de nosso campo
emocional, identificar os nossos pensamentos e as emoções a eles associadas,
dos impactos que eles causam em nosso comportamento e nos nossos relacionamentos,
é imprescindível para viver bem, ter mais saúde e relacionamentos sociais e
profissionais mais íntegros. Desenvolvendo a consciência, podemos reconhecer a
qualidade de nossos pensamentos, sentimentos e atitudes diante de qualquer experiência;
e assim podemos ajustar as nossas reações emocionais, corrigir os pensamentos e
abrir novas possibilidades. Enfim, podemos sair da zona de conforto e nos
permitir conhecer o novo em nós mesmos.
Emoções Negativas
e a Saúde
A mídia a todo instante revela as pesquisas
sobre os danos que o stress, a depressão ou a ansiedade causam à saúde. Poucos falam
dos danos causados pelos sentimentos de desamparo, das atitudes estressantes das
quais não conseguimos reconhecer ou mudar, dos danos causados ao nosso cérebro pelos
produtos tóxicos contidos nos alimentos, da angústia que fica depois que vivermos
falsos sentimentos de felicidade, e raramente e para não dizer nunca comentam
do impacto destrutivo no nosso sistema imunológico causado pelas emoções
negativas. Vivemos tão estressados, angustiados, ansiosos devido à nossa vida
cotidiana tão cheia de cobranças e pressões, que cientistas dedicam-se a
estudos e pesquisas sobre o stress. Algumas já identificaram que o stress pode
diminuir o nosso tempo de vida, porque ele encurta os nossos telômeros (as “tampas”
de nossas cadeias de DNA, que tem uma grande função no envelhecimento). Que mal
causam então a raiva, a hostilidade, o apego, a aversão à nossa saúde?
Emoções
Positivas
Algumas pesquisas demonstram que as emoções
positivas podem melhorar a nossas perspectivas do mundo, aumentar a nossa criatividade,
perceber que existem outras opções, outros caminhos outras possibilidades e,
com o tempo podemos construir um corpo emocional mais resiliente, resistente,
experiente, mais amplo. Dr. Fredrickson publicou suas descobertas neste campo,
afirmando que os benefícios físicos e emocionais de um estado mais positivo
diante da vida contribui na recuperação do stress cardiovascular, melhora a
qualidade do sono, melhora o sistema imunológico e muito mais. Sei que não é
fácil sair de um estado negativo de stress, ou depressão para um estado mais
jovial, brincalhão, sereno, repleto de sentimentos de gratidão, altruísmo, amor
por si mesmo e ao próximo em um estalar de dedos, mas sei como psicoterapeuta e
professora de meditação que é possível desenvolver estes estados positivos com
dedicação e disciplina.
O que mais se observa no consultório, são
pessoas com tendência a priorizar o estado negativo, parece que elas estão se
defendendo das ameaças, lutando do lado daquilo que mais as prejudica. Como é difícil
ceder, abrir mão do mecanismo de sobrevivência, parar de ficar ruminando sobre
as nossas frustrações, desentendimentos, medos. Como é difícil fazer diferente,
buscar outras opções, ver nas dificuldades oportunidades de crescimento e
aprendizagem, como é difícil para de atacar e agir com mais gratidão e amor.
É preciso criar coragem para experimentar
emoções positivas, quando as destrutivas ocupam espaço no nosso cotidiano. Buscar
viver estados emocionais harmoniosos e construtivos possibilita criar os
recursos psicológicos fundamentais para uma vida mais saudável e prospera.
E como fica
o perdão?
Quando estamos mergulhados na negatividade,
nos sentimos atacados por todos os lados, às vezes até agimos de forma
incoerente com o nosso discurso. Parece haver dois de nós vestindo o mesmo
corpo. Costumo dizer, que somos como uma casa com muitos quartos. Somente abrimos
as janelas daqueles que usamos, os outros nos trancamos, mantemos as janelas
fechadas e esquecemo-nos deles. No entanto, é dentro deles que se encontram as
nossas tralhas, nossos monstros ou demônios, os aspectos de nós que não
queremos reconhecer. Mas estes aspectos saem de seus aposentos mais escuros
quando estamos tomados pelas emoções negativas, agimos de forma dita “inconsciente”,
falamos sem pensar nas consequências, nos comportamos justamente da forma que
mais criticamos. E é justamente por isso
que o perdão é tão importante.
Perdoando primeiro a nós mesmos, depois
perdoando aquele que nos magoou. A atitude
de perdoar e aceitar o pedido de perdão melhora nossa saúde mental, emocional e
físico, reduz a raiva, o desconforto gastrointestinal, tonturas e outros males.
O perdão
como uma prática espiritual
O exercício do perdão é ensinado como uma
prática espiritual por todas as religiões, de Jesus a Budha e tantos outros
mestres e santos. No Terceiro Novo Dicionário Internacional da Webster a
palavra perdão significa: “Para cessar o
sentimento de ressentimento contra um erro cometido”.
Um pequeno conto do Budismo Tibetano sobre dois monges que deparam um com o outro alguns anos depois de erem sido libertados de uma prisão onde tinham sido torturados pelos seus captores. “Você perdoou?” Pergunta o primeiro. “Eu nunca vou perdoá-los! Nunca!” responde o segundo. “Bem, eu acho que eles ainda o têm na prisão, não é?” diz o primeiro.
Praticar o perdão desbloqueia os nossos
caminhos, libera nosso corpo dos sintomas da raiva, medo e ressentimento. Estas
emoções costumam nos endurecer, reduzem as nossas opções para responder as
questões da vida, criam obstáculos ao fluxo da vida, mudam o foco da nossa
atenção, dificultam a pratica da meditação, bloqueiam a nossa respiração, enfim
enfraquecem o espírito.
Podemos abraçar o perdão como um ato de
compaixão e gratidão. Podemos começar reconhecendo tantos aspectos bons da
nossa vida, aceitando tudo o que já conquistamos, criando ondas de bem-estar
emocional.
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