sexta-feira, 7 de junho de 2013

GAYATRI GANESH MANTRA

 Ganesh Gayatri Mantra
Gayatri é uma forma de métrica védica de três linhas especiais normalmente utilizadas em Mantram (Plural da palavra Mantra). Mantram são sons de poder que invocam uma Divindade. Estes sons quando entoados corretamente focam a nossa consciência com a energia que a Divindade representa. Abaixo seguem alguns exemplos de Gayatri que costumam ser recitados em Poojas e Yajnas, formas rituais descritas nos Vedas.
Estes Mantram podem ser recitados usando o Japamala (rosário indiano, feito de cristais, sementes, ossos ou outros materiais naturais e tem 108 contas), são muito poderosos e devem ser entoados acompanhando a respiração, ou de acordo com o ensinamento de um Mestre ou Guru de forma que a pessoa possa obter seus benefícios.
Ganesh Gayatri
Ganesh é filho de Lord Shiva e de sua consorte a Deusa Parvati. Segundo os textos sagrados, Ganesh é o Deus responsável pela remoção dos obstáculos, por ter copilado o Bhagavad Gita ditado pelo sábio Vyasa é conhecido como Deus do Conhecimento ou Deus dos estudantes entre tantas outras características e poderes.
Aum Ekadantaya Vidmahe
Vakratundaya Dhimahi
Tanno Dantih Prachodayat
“Dedicamos nosso pensamento ao Senhor das presas de elefante. meditamos n’Aquele que tem o tronco curvado. Que Suas presas guiem-nos no caminho certo.”
Ganapati Upanishad
As Upanishads são uma parte das escrituras denominadas de Shruti, textos sagrados indianos e fazem parte do Vedanta. Ela discutem principalmente meditação e filosofia e são profundamente respeitadas por serem consideradas instruções religiosas. Cada Upanishad foi escrita por um Rishi, num total de 123 livros sendo 12 as consideradas mais básicas para os estudiosos.
Na Ganapati Upanishad encontramos o seguinte Gayatri:
Aum Tatpurushaya Vidmahe
Vakratundaya Dhimahi
Tanno Dantih Prachodayat
“Dedicamos nosso pensamento para a Pessoa Suprema. Meditamos sobre Aquele que tem o tronco curvado. Que Suas presas guiem-nos no caminho certo”.
Narayana Upanishad
Aum Tat Karataya Vidmahe
Hasti Mukhaya Dhimahi
Tanno Dantih Prachodayat
“Dedicamos nossos pensamentos ao Senhor Misterioso. Meditamos sobre seu rosto de elefante. Que Suas presas guiem-nos no caminho certo”.
Maitrayani Samhita (2,6-9)
Aqui encontramos uma coleção de Mantram para Ganesh.  Os Mantram de Ganesh são considerados Siddhi Mantram, e cada Mantra devidamente entoados se conectam com certos poderes de Ganesh, e devem ser entoados com uma respiração rítmica, fervorosa devoção, intenção sincera e que não seja para desejar mal a ninguém.
De um modo geral, os Mantram de Ganesh produzem bons resultados, afastam o mal, abençoam o devoto sincero com abundância, prosperidade, remoção de barreiras, sabedoria, conhecimento, prudência e sucesso.
Em uma casa dedicada a Ganesh, espíritos malignos não conseguem entrar, nem perturbar a mente do devoto que entoa Mantram de Ganesh. Os Mantram de Ganesh podem ser usados para equilibrar os Cakras, pois Ganesh reside no primeiro Cakra – Muladhara, além de manter a consciência livre dos sinais de depressão, confusão, ciúme, raiva, ódio, medo, pensamentos perturbadores, e outras emoções negativas.
Algumas dicas para quem quer entoar Mantram de Ganesh e outros também. Fazer suas obrigações diárias pela manhã e tomar banho, vestir roupas claras, dê preferência branca ou as cores da Divindade, e o número de japas ou recitações do mantra. Alguns Mantram devem ser recitados por milhares de vezes num prazo determinado.
Algumas Divindades requerem Japamalas com sementes específicas, por exemplo, para Shiva dedicamos Mantram no Japamala de sementes de Rudraksha, Lakshmi a Deusa de Riqueza prefere os Japamalas de sementes de Lotus, no mínimo deve-se fazer um Japamala (uma volta de 108 contas). Sentar em lugar arejado, calmo, procurar conhecer a direção da Divindade, se possível acender uma lamparina de Ghee ou incenso, deve-se escolher um horário fixo (se possível) e no mínimo de 21 dias e alguns podem ser feitos por no Maximo 40 dias, na dúvida procure um Mestre ou um Professor de Mantra. Fazer um Pranayama por alguns minutos. Esta dedicação chama-se Upasana – meditação intensa que traz Siddhis ou poderes espirituais. Mas devo lembrar que para adquiri-los não basta entoar, é preciso, perseverança, dedicação, fé e disciplina.
Outro fator importante deve-se entoar Mantram somente para cura, pedidos altruístas, benefício da humanidade, por exemplo. Abuso do poder do Mantra e mau uso do Siddhi atraem a maldição dos Asuras (espécies de demônios citados nos Vedas). 
Aum Gam Ganapataye Namah
Este mantra é encontrado no Ganapati Upanishad. Pode-se usá-lo quando estiver para fazer uma viagem, iniciar um novo curso ou ir para uma nova escola, uma nova carreira ou um novo trabalho. Também quando for assinar um contrato ou realizar algum negócio licito para que os obstáculos sejam removidos e tudo seja um sucesso.
Aum Shree Gam
Excelente para educação, remoção de obstáculos em todas as áreas. Aumenta a memória, excelente para quem for fazer exames, vestibulares e concursos.
Aum Vakratundaya Hum
Este mantra se encontra no Ganesha Purana e é dito ser muito poderoso. Quando os caminhos parecem tortuosos, desanimados, deprimidos ou negativos, seja em que nível for, Ganesha é chamado para endireitar os caminhos. Pode se r traduzido como “Não se atrase meu Senhor em endireitar meu caminho”. Também é utilizado para afastar demônios ou espíritos malignos. É bom para problemas de Medula Óssea, problemas de coluna vertebral, e o numero mínimo de entoação de 10 Japamalas por dia.
Aum Kshipra Prasadaya Namah
Kshipra é uma palavra sânscrita que significa – instantânea. Se algum perigo ou uma energia negativa estiver vindo e o devoto não souber como evitar a situação, deve entoar japas até sentir que seu pedido foi atendido, a resposta costuma ser  rápida e purifica a alma.
Aum Shreem Hreem Kleem Glaum Gam Ganapataye Vara Varada Sarva Janamme Vashamanaya Swaha
Neste Mantra aparecem os Beejas Mantram – sons sementes, cada Divindade tem um ou mais Beejas Mantram, sons específicos porém sem tradução, alguns Beejas servem para muitas Divindades outros são exclusivos como Gam ou Glaum que são específicos de Ganesh.
Aum Sumukhaya Namah
São muitos os significados, entre eles o pedido para se ter uma alma bonita, um espírito puro. Ao usar este Mantra na meditação a beleza surge de muitas maneiras em nossa vida e junto dela um profundo sentimento de paz que aparece nos olhos e nas palavras.
Aum Ekadantaya Namah
Ekadanta é a palavra sânscrita que se refere à presa do elefante.  Quando Ganesh estava copilando o Bhagavad Gita, Ele quebrou uma presa para usar como caneta. Para muitos estudiosos ter uma presa só significa a quebra da dualidade, e quem mantém em mente este espírito de unidade e devoção sincera pode ser capaz de conseguir tudo.
Aum Kapilaya Namah
É um mantra que eleva a criatividade. Kapila significa vermelho em sânscrito e é também o nome de um Rishi muito importante, sendo considerado o compilador da filosofia Samkhya. Outro significado para a palavra é – desejo de vaca ou vaca da abundancia – isso significa que quem entoa este mantra com devoção sincera pode tornar realidade tudo o que deseja. Principalmente os desejos de cura dos outros.
Aum Gajakamikaya Namah
As orelhas do elefante estão sempre abanando, o que simbolicamente significa que as pessoas falam demais, e por isso o devoto pode não estar recebendo as informações que são realmente importantes. Por isso é um Mantra importante para quem quer desenvolver a capacidade de ouvir a voz de Deus, dos Profetas e Sábios, anjos ou ancestrais. É a capacidade de desenvolver  o ouvido interno.
Aum Lambodaraya Namah
É o mantra para ser entoado quando o devoto quer se sentir como o Universo. Ou que todos os Universos estão dentro de você, assim como a árvore inteira está na semente, o Universo inteiro está no som da criação – AUM ou OM, e que manter a consciência no som OM faz o devoto sentir que ele é o devoto. Se o devoto perceber-se uno com o Universo, a cada dia, a graça de Deus virá e então haverá a Paz Universal.
Aum Vikataya Namah
O significado deste Mantra é perceber este mundo como um sonho ou um drama. Ver este mundo como um drama criado pelo ego, pode manter-nos como uma peça do jogo e não como o jogador. Este mantra é para ser entoado para manter a consciência sobre a Verdade por trás do sonho.
Aum Vighna Nashanaya Namah
Este Mantra invoca Ganesh para remover cada obstáculo na vida do devoto e em suas obras. Através da meditação constante sobre este Mantra, todos os obstáculos e toda energia bloqueada nos corpos são liberados.
Aum Vinayakaya Namah
Vinayakaya é o mundo de ouro de Ganesh. Entoando este Mantra a vida do devoto terá uma idade de ouro, em todos os aspectos, no trabalho, na saúde, na família. Vinayakaya significa que as coisas ficam sob controle. Vinayakaya significa o Senhor dos Problemas.
Aum Dhumraketuve Namah
Nos Vedas o cometa Halley é chamado de Dhumraketu. E os textos dizem que sempre que este cometa aparece não há medo nem terror. E assim como o cometa afasta todo o mal, os mestres dizem que os devotos que tem sabedoria para enfrentar tudo ao fazer a passagem vai para mundo superiores. Este Mantra deve ser entoado por aqueles que querem superar o mal do mundo e substituí-la pela Paz Universal.
Aum Ganadhyakshaya Namah
È um Mantra importante para aqueles que trabalham com grupos, ou para aqueles que levam a cura para grupos.
Aum Bhalachandraya Namah
Bhala em sânscrito significa centro da testa. Chandra significa a Lua no Crescente. Bhalachandra é o ponto do Cakra de onde pingam as gotas do Néctar da Vida – Amrita. E este é o segredo de toda cura. Quem entoa este Mantra sente-se como o próprio Senhor Shiva, que carrega a Lua entre os cabelos, que é Senhor do Néctar da Vida, assim o devoto conecta-se com a Verdade que Cura e dá Vida.
Aum Hreem Shreem Kleem Namo Bhagawate Gajananaya Namah
Significa – Eu me curvo para o Deus Gajanana que concede muitas riquezas. O ideal é começá-lo numa terça feira e fazer no mínimo um Japamala todos os dias.
Vakratunda Mahakaya Suryakoti Samaprabha Nirvighnam Kuru Mey Deva Sarvakaryeshu Sarvada
Significa – Oh! Senhor Vakratunda do tronco curvado e corpo maciço, Aquele cujo esplendor é igual a milhões de sóis, por favor, abençoe-me para que eu não enfrente qualquer obstáculo em meus esforços.

Referencias:
- Apostila do Curso – Mantram – Sons de Poder – Saleela Devi

- Mantras Que Curam - Thomas Ashley-farrand

- O Livro de Ouro de Otavio Leal

 - The Mantra Book: Chant Your Way to Health, Wealth and Serenity - Llilian Too 

- Mantra Yoga and Primal Sound: Secret of Seed (Bija) Mantras - David Frawley


-  www. Prophet666. com
Os dez Sutras para a Revolução Espiritual - OSHO

1.      DESAPEGO - O primeiro ponto de revolução é - Anasakti - sentimento de não-apego ao mundo. Com o mundo - eu quero dizer, as expectativas da mente, desejos da mente. Mundo não significa esposa, marido, filho, casa, plantas. O mundo significa o desejo de conseguir isso, conseguir aquilo. A menos que haja sensação de perda não é possível ir dentro de si - mesmo. Portanto, o primeiro Sutra da revolução é o desapego do mundo. O acessório que está lá deve ser quebrado. A esperança de que este mundo pode lhe dar satisfação e felicidade deve ser agitada para as raízes.
2       -LIBERDADE - O segundo Sutra é a liberdade da armadilha das assim chamadas religiões. Algumas pessoas ficam livres deste mundo. Eles entendem que não pode haver satisfação aqui, mas eles logo caem em outra armadilha. De um lado há uma montanha e em outro há um vale. As chamadas religiões nos colocaram outros problemas. Atos religiosos, tais como rituais, cultos, astrologia, banho santo, dogmas, Satyanarayana Katha, avaliação de livros sagrados etc. criaram apenas confusão e controvérsias. Em primeiro lugar, é difícil sair das confusões mundanas. No entanto, se você sair delas há mais chances de ficar preso nas confusões religiosas. É ainda mais difícil sair da armadilha das religiões. É fácil entender que a riqueza, posição, fama, casa e família não podem sustentar nossa verdadeira felicidade. Não se pode fazer nada pela leitura de livros sagrados, pensamentos e reflexões, visitando templos ou mesquitas, a adoração de ídolos e fogo sagrado, mas acima de tudo é preciso compreender esta realidade. Assim, o segundo Sutra é a liberdade da armadilha da religião.
 3 - SATSANG (Sentar-se na comunhão dos Mestres) -  É estar na companhia dos santos, mestres ou gurus. A partir daqui está começando a sua espiritualidade. Quando você não tem nada dos ídolos, quando você não tem nada de livros sagrados, você vai em busca de um mestre vivo. É na companhia dos santos que começa a viagem espiritual no verdadeiro sentido. Definitivamente, onde há um verdadeiro santo, há também centenas de santos falsos. Pois muitos exploram o buscador espiritual. É necessária muita inteligência na busca e compreensão em companhia dos santos. Ás vezes aprende-se por tentativa e erro.  
4 - AMOR e CONFIANÇA - É a afeição com o Mestre escolhido. Você encontrou o mestre. Aquele com quem você fará uma verdadeira comunhão espiritual. Quando você começar a amar o seu mestre, nascerá a verdadeira confiança. A partir daqui, há um ponto de virada na vida, agora começamos a nos mover em direção à verdadeira religião. 
5 – MEDITAÇÃO – O quinto ponto é a consciência da Consciência. Isso vai acontecer com a prática da meditação. A consciência deve ser praticada mais e mais.  E se pode começar a praticar a partir das técnicas dadas pelo seu instrutor de meditação, Mestre ou Guru, para despertar a consciência e aumentá-la com o tempo de dedicação e perseverança. Nada vai acontecer apenas por ouvir a pregação do Mestre (Darshans). Nada vai acontecer, ajoelhando aos pés do Mestre, nada vai acontecer apenas com as bênçãos do Mestre. Para despertar a consciência algo prático deve ser feito. Tem que absorver os ensinamentos do Mestre na vida.
6 – REALIZAÇÃO DO SILENCIO – O sexto ponto é a realização do silêncio. Quanto mais a pessoa se torna consciente, menos pensamentos, mais silêncio; mais ela desenvolve a experiência zero – o estado de Shunyata. Mais silenciosa por dentro ela se torna.
7 – O SOM – OM – O sétimo ponto é atingir a ressonância interna. Um som ressoa no espaço interior, quando ele é silencioso. Vários santos e mestres falam sobre este som como sendo o som de Deus. Como Deus; não estou me referindo a alguém sentado no sétimo céu. Omkara – o som que está repercurtindo dentro, como Nanak disse: “Ek Omkar Satnam”. Que significa que Om é o verdadeiro nome divino. Ele foi nomeado como Naam, Mo, Amén, Shabad pelos santos e místicos. Quando você ouvir o som, começa o ponto de partida para o inicio do Samadhi. Você pode nem acreditar que Deus está falando com você. Quando a multidão de pensamentos desaparece, todo barulho chega ao fim, só então você começa a ouvir a Sua voz doce!
8 – EM HARMONIA COM O OM - O oitavo ponto é o afeto em relação a Deus. Para ouvir o som no interior, para ouvir o Omkar, só o afeto não vai funcionar. A ascensão de amor, afeto, carinho para com o som Omkar chama-se Bhakti Yoga. O carinho para com Deus é devoção, é a devoção final. Então, sabendo do som Omkar e ouvi-lo por si só não será suficiente. Você tem que mergulhar em seu amor, mergulhar com devoção, se não nada vai acontecer.
9 – UNIDADE -  O nono ponto é a experiência Advaita (Não dualidade). Um dia você vai saber que a forma Omkar de Deus em que você está mergulhando é uma com você. Você e Deus são um Só. Não são dois. São Um. Haverá então a declaração Aham Brahamasmi – Eu Sou Divina. E assim a Iluminação terá lugar. O conhecimento último será atingido.
10 – COMPAIXÃO – O décimo ponto é a compaixão. A pessoa que conhece a si – mesmo como sendo Uma com Deus, um amor incrível surge dentro dela.  E outro nome surge no lugar de amor – compaixão. Uma grande compaixão surge. A pessoa percebe que assim como ela sofria suas dores, da mesma forma milhares de pessoas ao redor do mundo também estão sofrendo. Surge então muita compaixão e a pessoa se torna Acharya. Torna-se um professor. Um guia e começa a compartilhar o que ela já aprendeu. Começa a dizer aos outro o que aprendeu.
Osho tornou-se meu Mestre por volta de 1997 e a minha vida que era escura e sem sentido tornou-se iluminada. Ele até hoje sopra a brisa refrescante da Sua sabedoria e ilumina os recantos escondidos da minha alma à medida que vou me desenvolvendo e crescendo como Ser. Esta leve brisa vai limpando o espelho da minha consciência, e revelando mistérios de mim mesma. Repassar alguns de seus ensinamentos é levar esta brisa adiante para alcançar outros espelhos que estão prontos para a retirada da poeira da ignorância. Encontrei este texto entre tantas preciosidades, mas não sei o nome do discípulo que o traduziu, mesmo assim repasso, acredito que o Mestre deixou um legado que deve ser repassado. Se alguém souber o nome terei prazer em colocar aqui.  Saleela Premma Devi






sexta-feira, 31 de maio de 2013

SHIVA MINASA POOJA

LORD SHIVA
Adoração ao Senhor Shiva
Está é a história do culto a ser realizado em dezesseis segundas-feiras consecutivas.
Um dia Bhagavan Bhutanath – Senhor Shiva, como Senhor de todos os seres, resolveu visitar o mundo do Samsara (o mundo da matéria e dos relacionamentos), juntamente com sua bem-amada esposa Parvati. 
Eles viajaram muito, visitando terras diferentes, até chegarem à cidade de Amaravati. Era uma cidade maravilhosa e no seu centro existia um templo dedicado ao Senhor Shiva, onde decidiram ser abrigar.
Certo dia, a Deusa Mãe quis jogar “Chalsar”, um jogo de dados indiano, com seu marido.  Enquanto o casal divino se divertia com o jogo, entrou no templo um brâmane pujari. Parvati parou e perguntou ao brâmane: Quem vai ganhar o jogo? Sem hesitar o pujari prontamente respondeu – Shakariji Shiva vai ganhar!
Depois de certo tempo, Parvati perdeu o jogo de dados e ficou muito irritada. Sem pensar Ela se lembrou da previsão do brâmane. Shiva lhe pediu calma, que controlasse a raiva, afinal era só um passatempo, mas a Deusa não cedeu; e em sua raiva amaldiçoou o brâmane a sofrer de lepra.
Imediatamente, o sacerdote foi atacado pela doença. Ele ficou muito triste e sofrendo de muita dor. Muitos dias se passaram e o brâmane sofria muito e pensava: Por que recebi tal maldição da Mãe Divina? O que foi que fiz de errado, para sofrer tal castigo? O que eu deveria fazer para obter sua graça? Sua mente ficava agitada e seu corpo doía.
Um dia, quando entrava no templo dedicado ao Senhor Shiva, o brâmane viu a mais bela ninfa celeste. Seu rosto era jovial, belo e brilhante. Era a beleza angelical de uma Apsara, uma donzela celestial que serve aos Deuses. O brâmane angustiado caiu de joelhos aos seus pés, e ela amorosamente deu-lhe as seguintes instruções: “Com toda a sua energia e devoção, no máximo de sua capacidade, execute o culto ao Senhor Shiva em dezesseis segundas feiras consecutivas. Toda a dor e sofrimento que vos aflige irão se dissolver completamente, se você adorar ao Senhor Shiva com devoção pura e sincera!”.
A Apsara de radiante beleza ensinou exatamente ao brâmane como realizar o Pooja de Shiva: “No inicio da manhã de cada segunda – feira você deve tomar banho e usar uma roupa de tecido branco puro para cobrir o corpo. Depois você deve pegar um quilo de farinha de trigo branca, uma mistura de “gur e de Ghee” e fritar tudo, este prato se chama “Churma”. Pegue o prato, uma lamparina de Ghee, bem como o Gur, um cordão sagrado (Japa) pasta de sândalo, grãos de arroz e flores. De posse destes itens, você deve adorar ao Senhor Shiva; fazendo em sua testa três linhas na horizontal e uma marca de sândalo no centro. Ao terminar, você deve retirar o Prasad e fazer como de costume. Recite os mantras do Senhor Shiva, cante suas músicas, faça o Homa (o fogo sacrificial) e todas as outras formas de adoração ao Senhor Shiva. Concluindo o seu culto ao Senhor Shiva desta forma, por dezesseis segundas – feiras, na décima sétima você vai oferecer um Prasad ainda maior feito com total devoção e amor. Você sentirá as bênçãos do Senhor cair sobre você, será libertado de toda dor e sofrimento e atingirá as maiores graças e boa sorte”
Finalizando seu ensinamento, a Apsara desapareceu. O brâmane ficou espantado com essa visão e com plena fé, observou o Sankalpa por dezesseis segundas-feiras em cada detalhe. Toda segunda-feira ele usava uma roupa branca, entoava os mantras de Shiva e oferecia as ofertas apropriadas. Ao final, viu-se curado da doença e libertado de todo sofrimento. Assim tornou-se muito conhecido, pela sua riqueza e bondade era respeitado em todo reino.
Ele passou a ensinar a adoração ao Senhor Shiva para muitas pessoas necessitadas das graças do Senhor e continuou a inspirar as pessoas de sua comunidade para que sempre se inspirassem em sua história com verdade e alegria.
Certa vez, quando viajava pelo reino, foi passar uns dias no templo onde Parvati o havia amaldiçoado. E lá estava também a Mãe Cósmica em visita. Ao vê-lo, a Grande Mãe ficou muito surpresa ao perceber que ele não estava mais doente. O brâmane contou a Deusa como obteve a sua cura. Parvati encantada, também agraciou o brâmane reforçando sua alegria.
Parvati contou então ao filho Kartikeya o segredo maravilhoso da cura do puraji e como era o culto ao seu amado marido. Kartikeya tinha um amigo que não conseguia uma esposa e desejava casar-se ardentemente. Sabendo como fazer um culto a Shiva ele observou as dezesseis segundas-feiras com muita fé e amor.
Após concluir a devoção precisou fazer uma longa viagem a um reino distante. Ao chegar ao reino, ouviu dizer que o Rei iria fazer uma importante declaração em praça pública sobre o noivado de sua única filha.
O Rei prometeu a mão de sua filha em casamento àquele que fosse escolhido pelo seu elefante favorito. O elefante carregaria uma coroa de flores e em quem ele colocasse a coroa ao redor do pescoço, de acordo com o entendimento dos textos divinos, seria o escolhido para marido da princesa.
O viajante curioso resolveu assistir a cerimônia de noivado na praça, pois ele nunca tinha ouvido falar de semelhante forma de escolher um marido, principalmente para alguém que seria o futuro rei. A praça estava lotada de pretendentes de todas as castas, o elefante caminhava lentamente como que observando a fila de homens reunidos para a ocasião, e aproximou-se do viajante colocando-lhe a coroa no pescoço. O Rei cumpriu com sua palavra e feliz cedeu a mão da filha ao noivo escolhido pelo elefante. O mais belo casamento foi realizado e o viajante tornou-se membro da família real. O Senhor Shiva o havia abençoado!
Com o tempo, o viajante contou a esposa que havia realizado a adoração ao Senhor Shiva, contando em detalhes como havia realizado o Pooja por dezesseis segundas feiras. Ela estava ansiosa por ter filhos, embora houvesse muito amor entre eles, esta benção ainda não tinha acontecido e era aguardada por todo o reino. A princesa com toda devoção e amor decidiu também fazer a adoração ao Senhor.  Shiva ficou muito feliz por devoção e a princesa deu à luz a um filho maravilhoso.
A criança cresceu e transformou em um homem forte e vigoroso, queria ser um bom rei para honrar seus antepassados. Contou à mãe sobre seus sonhos e ela revelou-lhe o segredo da adoração à Shiva. Ao que o rapaz prontamente seguiu seus ensinamentos com detalhes. Na décima sétima segunda feira, um mensageiro de um reino distante. O Rei do reino distante ficou sabendo da beleza e sabedoria do príncipe e queria que sua filha se casasse com ele. Seu pai muito feliz e orgulhoso prontamente consentiu na união dos jovens príncipes, e realizou uma festa ainda mais bela.
O pai da princesa já era um homem velho e doente, e tão logo o casamento se realizou transferiu ao marido da filha os deveres do reino.  Com a intenção de ser um bom rei, o jovem decidiu fazer um novo Pooja à Shiva, para que esta transferência de poderes acontecesse da melhor forma possível. Ele queria que sua esposa participasse, para que também fosse uma boa rainha. Mas a princesa passou os detalhes do Pooja para um de seus servos, ela não queria ir para a cozinha, preparar o Prasad.
No momento de iniciar o Pooja o novo rei recebeu uma mensagem: “Se o rei não deixar a rainha insolente, sua linhagem será consumada!”.
Apavorado ao ouvir a mensagem o rei ficou admirado e consternado, não entendia o que estava acontecendo e o que ele deveria fazer? Recorreu aos seus ministros, contando sobre a mensagem e a ameaça de ruína sobre a sua família. Os ministros contaram ao rei que a princesa desobedecerá às suas ordens e pediu a um servo para fazer o Prasad. Disseram-lhe que ele deveria abandonar a rainha imediatamente ou ela só lhe causaria problemas.
A rainha ao saber do acontecido ficou muito triste. Ela foi imediatamente exilada. Passou a vagar pelo reino, mas ninguém lhe dava acolhimento ou abrigo. De rainha ficou reduzida a mendicância. Seu belo vestido estava rasgado e sujo, ela não tinha mais sapatos. Nem as pessoas mais velhas e sábias olhavam para ela. Era expulsa de todos os lugares.
Certo dia encontrou um velho homem que lavava pratos, mesmo com medo de ser rejeitada novamente, mas sentindo muito frio e fome procurou pelo velho homem contando sua história. Ele trabalhava justamente no templo do Senhor Shiva, ajudava na cozinha e tirava o leite fresco para levar ao templo. Ele sentiu uma profunda compaixão pela pobre mulher e deu-lhe refúgio no templo do Senhor.
Mas logo tudo o que ela tocava ficava em ruínas, até mesmo os alimentos que lhe eram oferecidos logo se enchiam de vermes. O sacerdote do templo viu seu sofrimento intenso e doloroso. Então ele orientou a rainha a apaziguar a ira de Shiva, ensinou-lhe a realizar pooja nas dezesseis segundas-feiras seguintes. A rainha ouviu com atenção todos os detalhes e fez como lhe foi ensinado com muita fé e devoção.
Na décima sétima segunda feira, o rei ouviu uma voz divina que lhe dizia para ir procurar por sua esposa, por ordem do Senhor Shiva. O rei prontamente enviou embaixadores e mensageiros por todos os reinos, e uma ordem que não voltassem enquanto não encontrassem sua esposa. Ao descobrir seu paradeiro, o rei foi imediatamente ao seu encontro.
Ficou extremamente feliz ao saber que a benção veio após ela realizar o Pooja do Senhor. Agradecido o rei honrou o sacerdote e o templo de Shiva sem poupar despesas. O sacerdote muito ficou muito feliz e abençoou os dois.
O rei e a rainha retornaram ao palácio onde os súditos de todo o reino esperava pela rainha. Todo reino comemorou e o rei e a rainha deram presentes para todos, era o inicio de um longo e feliz reinado, Shiva concedeu a rainha a benção de ter muitos filhos, e a promessa de que quando morressem iriam direto para o Shivaloka.
Esta é a história da adoração ao Senhor Shiva. Dizem os velhos sábios que quem a ler com devoção, ou ouvi-la com atenção aguçada, no momento da adoração ao Senhor numa segunda – feira será abençoada com saúde, riquezas, a cessação de todos os distúrbios e a realização de todos os desejos. Está é a promessa do Senhor Shiva – o Um sem Segundo – Om Namah Shivaya.
Nas várias tradições espirituais na Índia e nos muitos textos sagrados são ensinados diferentes práticas de adorar as divindades, estes rituais de oferecimentos são comumente chamados de Pooja.
Nos Poojas são oferecidos diversos objetos materiais como incenso, frutas, doces, flores entre outros, são usados utensílios de metal como pratos, bandejas e vasos. São os Poojas externos.
Existe também o Pooja interno. É uma técnica de adoração ao Senhor Shiva muito especial. Em vez de utilizar os diferentes objetos materiais, o devoto usa a sua criatividade mental, sua imaginação para fazer o Pooja e em sua mente ele faz as oferendas, como se estivesse realizando o Pooja externo, com muita fé e devoção.
Embora seja contraditório muitos mestres ensinam que o Pooja interno é muito mais forte, eficiente e poderoso que o Pooja externo. Da mesma forma que entoar mantram mentalmente é muito mais poderoso que entoar em voz audível. Mas o que vale mesmo é o amor dedicado a Shiva, a entrega e a fé durante a realização do Pooja.
O hino utilizado no Pooja de Shiva é o Shiva Manasa Pooja, que fala especialmente do significado de se adorar ao Senhor. Pode-se imaginar o oferecimento das maiores honrarias e variados Prasad além de banho, frutas, flores, roupas, lamparinas de Ghee e outros presentes. Tudo feito mentalmente e na mais profunda entrega e devoção. O Senhor Shiva amorosamente aceita todos os oferecimentos e presentes e abençoa  nos libertando de todo mal, do karma negativo, das doenças e outro males conscientes e inconscientes.
A adoração ao Senhor Shiva deve ser feita à noite entoando primeiro o Shiva Mahina Stotram e depois o Shiva Manasa Puja. Um exemplo de entoação está neste site: http://www.youtube.com/watch?v=EXJmGcvVjSo
O Shiva Mahimna Stotram – Hino sobre a grandeza de Lord Shiva
O Shiva Mahimna Stotra é muito popular entre os Stotram é muito popular entre os devotos do Senhor Shiva e é considerado um dos melhores entre todos os Stotras ou Stutis oferecidos ao Senhor Shiva.
Conta a lenda Pushpa Dantha era um Gandharva, ou seja um ser celestial, que entoava cânticos a Deus na corte de Indra. Ele era um devoto do Senhor Shiva, bem como um amante das flores. Ele costumava roubar as mais belas flores do jardim do Rei Chithra Ratha e as oferecia à Shiva.
Como resultado, o Rei Chithra Ratha nunca tinha belas flores para fazer suas oferendas no Templo de Shiva. Mandou seu jardineiro real investigar o que acontecia no jardim do palácio e descobrir o que acontecia quando as mais belas flores floresciam.
O que ninguém sabia  é que Pushpa Dantha, sendo um Gandharva era invisível, e a investigação do jardineiro não era então bem sucedida e as flores continuavam desaparecendo. Então o Rei Chithra, armou uma armadilha para o ladrão e espalhou folhas de Bilwa em seu jardim, e essas folhas são as preferidas do Senhor Shiva.
Pushpa Dantha ao tentar roubar as flores do jardim real, pisou nas folhas de Bilwa sem saber. Lord Shiva ficou muito irritado com o Gandharva, porque considerou a situação um desrespeito e o puniu retirando dele todos os seus poderes celestiais.
Arrependido, Pushpa Dantha, compôs a grande oração Shiva Mahimna Stotra, a oração falando das grandezas do Senhor Shiva, emocionou o Deus que o perdoou devolvendo seus poderes.
Facilmente na internet é possível encontrar três traduções do Devanagari para o inglês.

Shiva Mahimna Stotram – English Lyrics

Atha śrī śivamahimnastotram ||

mahimnaḥ pāraṃ te paramaviduṣo yadyasadṛśī
stutirbrahmādīnāmapi tadavasannāstvayi giraḥ |
athā_vācyaḥ sarvaḥ svamatipariṇāmāvadhi gṛṇan
mamāpyeṣa stotre hara nirapavādaḥ parikaraḥ || 1 ||

atītaḥ panthānaṃ tava ca mahimā vāṅmanasayoḥ
atadvyāvṛttyā yaṃ cakitamabhidhatte śrutirapi |
sa kasya stotavyaḥ katividhaguṇaḥ kasya viṣayaḥ
pade tvarvācīne patati na manaḥ kasya na vacaḥ || 2 ||

madhusphītā vācaḥ paramamamṛtaṃ nirmitavataḥ
tava brahman– kiṃ vāgapi suragurorvismayapadam |
mama tvetāṃ vāṇīṃ guṇakathanapuṇyena bhavataḥ
punāmītyarthe_smin puramathana buddhirvyavasitā || 3 ||
tavaiśvaryaṃ yattajjagadudayarakṣāpralayakṛt
trayīvastu vyastaṃ tisruṣu guṇabhinnāsu tanuṣu |
abhavyānāmasmin varada ramaṇīyāmaramaṇīṃ
vihantuṃ vyākrośīṃ vidadhata ihaike ja_adhiyaḥ || 4 ||

kimīhaḥ kiṅkāyaḥ sa khalu kimupāyastribhuvanaṃ
kimādhāro dhātā sṛjati kimupādāna iti ca |
atarkyaiśvarye tvayyanavasara duḥstho hatadhiyaḥ
kutarko_yaṃ kāṃścit mukharayati mohāya jagataḥ || 5 ||

ajanmāno lokāḥ kimavayavavanto_pi jagatāṃ
adhiṣṭhātāraṃ kiṃ bhavavidhiranādṛtya bhavati |
anīśo vā kuryād bhuvanajanane kaḥ parikaro
yato mandāstvāṃ pratyamaravara saṃśerata ime || 6 ||

trayī sāṅkhyaṃ yogaḥ paśupatimataṃ vaiṣṇavamiti
prabhinne prasthāne paramidamadaḥ pathyamiti ca |
rucīnāṃ vaicitryādṛjukuṭila nānāpathajuṣāṃ
nṛṇāmeko gamyastvamasi payasāmarṇava iva || 7 ||

mahokṣaḥ khaṭvāṅgaṃ paraśurajinaṃ bhasma phaṇinaḥ
kapālaṃ cetīyattava varada tantropakaraṇam |
surāstāṃ tāmṛddhiṃ dadhati tu bhavadbhūpraṇihitāṃ
na hi svātmārāmaṃ viṣayamṛgatṛṣṇā bhramayati || 8 ||
dhruvaṃ kaścit sarvaṃ sakalamaparastvadhruvamidaṃ
paro dhrauvyā_dhrauvye jagati gadati vyastaviṣaye |
samaste_pyetasmin puramathana tairvismita iva
stuvan– jihremi tvāṃ na khalu nanu dhṛṣṭā mukharatā || 9 ||

tavaiśvaryaṃ yatnād yadupari virincirhariradhaḥ
paricchetuṃ yātāvanalamanalaskandhavapuṣaḥ |
tato bhaktiśraddhā-bharaguru-gṛṇadbhyāṃ giriśa yat
svayaṃ tasthe tābhyāṃ tava kimanuvṛttirna phalati || 10 ||

ayatnādāsādya tribhuvanamavairavyatikaraṃ
daśāsyo yadbāhūnabhṛta raṇakaṇ_ū-paravaśān |
śiraḥpadmaśreṇī-racitacaraṇāmbhoruha-baleḥ
sthirāyāstvadbhaktestripurahara visphūrjitamidam || 11 ||

amuṣya tvatsevā-samadhigatasāraṃ bhujavanaṃ
balāt kailāse_pi tvadadhivasatau vikramayataḥ |
alabhyā pātāle_pyalasacalitāṅguṣṭhaśirasi
pratiṣṭhā tvayyāsīd dhruvamupacito muhyati khalaḥ || 12 ||
yadṛddhiṃ sutrāmṇo varada paramoccairapi satīṃ
adhaścakre bāṇaḥ parijanavidheyatribhuvanaḥ |
na taccitraṃ tasmin varivasitari tvaccaraṇayoḥ
na kasyāpyunnatyai bhavati śirasastvayyavanatiḥ || 13 ||

akāṇ_a-brahmāṇ_a-kṣayacakita-devāsurakṛpā
vidheyasyā_ _sīd– yastrinayana viṣaṃ saṃhṛtavataḥ |
sa kalmāṣaḥ kaṇṭhe tava na kurute na śriyamaho
vikāro_pi ślāghyo bhuvana-bhaya- bhaṅga- vyasaninaḥ || 14 ||

asiddhārthā naiva kvacidapi sadevāsuranare
nivartante nityaṃ jagati jayino yasya viśikhāḥ |
sa paśyannīśa tvāmitarasurasādhāraṇamabhūt
smaraḥ smartavyātmā na hi vaśiṣu pathyaḥ paribhavaḥ || 15 ||

mahī pādāghātād vrajati sahasā saṃśayapadaṃ
padaṃ viṣṇorbhrāmyad bhuja-parigha-rugṇa-graha- gaṇam |
muhurdyaurdausthyaṃ yātyanibhṛta-jaṭā-tā_ita-taṭā
jagadrakṣāyai tvaṃ naṭasi nanu vāmaiva vibhutā || 16 ||

viyadvyāpī tārā-gaṇa-guṇita-phenodgama-ruciḥ
pravāho vārāṃ yaḥ pṛṣatalaghudṛṣṭaḥ śirasi te |
jagaddvīpākāraṃ jaladhivalayaṃ tena kṛtamiti
anenaivonneyaṃ dhṛtamahima divyaṃ tava vapuḥ || 17 ||

rathaḥ kṣoṇī yantā śatadhṛtiragendro dhanuratho
rathāṅge candrārkau ratha-caraṇa-pāṇiḥ śara iti |
didhakṣoste ko_yaṃ tripuratṛṇamā_ambara-vidhiḥ
vidheyaiḥ krī_antyo na khalu paratantrāḥ prabhudhiyaḥ || 18 ||

hariste sāhasraṃ kamala balimādhāya padayoḥ
yadekone tasmin– nijamudaharannetrakamalam |
gato bhaktyudrekaḥ pariṇatimasau cakravapuṣaḥ
trayāṇāṃ rakṣāyai tripurahara jāgarti jagatām || 19 ||

kratau supte jāgrat– tvamasi phalayoge kratumatāṃ
kva karma pradhvastaṃ phalati puruṣārādhanamṛte |
atastvāṃ samprekṣya kratuṣu phaladāna-pratibhuvaṃ
śrutau śraddhāṃ badhvā dṛ_haparikaraḥ karmasu janaḥ || 20 ||

kriyādakṣo dakṣaḥ kratupatiradhīśastanubhṛtāṃ
ṛṣīṇāmārtvijyaṃ śaraṇada sadasyāḥ sura-gaṇāḥ |
kratubhraṃśastvattaḥ kratuphala-vidhāna-vyasaninaḥ
dhruvaṃ kartuḥ śraddhā-vidhuramabhicārāya hi makhāḥ || 21 ||

prajānāthaṃ nātha prasabhamabhikaṃ svāṃ duhitaraṃ
gataṃ rohid– bhūtāṃ riramayiṣumṛṣyasya vapuṣā |
dhanuṣpāṇeryātaṃ divamapi sapatrākṛtamamuṃ
trasantaṃ te_dyāpi tyajati na mṛgavyādharabhasaḥ || 22 ||

svalāvaṇyāśaṃsā dhṛtadhanuṣamahnāya tṛṇavat
puraḥ pluṣṭaṃ dṛṣṭvā puramathana puṣpāyudhamapi |
yadi straiṇaṃ devī yamanirata-dehārdha-ghaṭanāt
avaiti tvāmaddhā bata varada mugdhā yuvatayaḥ || 23 ||

śmaśāneṣvākrī_ā smarahara piśācāḥ sahacarāḥ
citā-bhasmālepaḥ sragapi nṛkaroṭī-parikaraḥ |
amaṅgalyaṃ śīlaṃ tava bhavatu nāmaivamakhilaṃ
tathāpi smartṝṇāṃ varada paramaṃ maṅgalamasi || 24 ||

manaḥ pratyakcitte savidhamavidhāyātta-marutaḥ
prahṛṣyadromāṇaḥ pramada-salilotsaṅgati-dṛśaḥ |
yadālokyāhlādaṃ hrada iva nimajyāmṛtamaye
dadhatyantastattvaṃ kimapi yaminastat kila bhavān || 25 ||

tvamarkastvaṃ somastvamasi pavanastvaṃ hutavahaḥ
tvamāpastvaṃ vyoma tvamu dharaṇirātmā tvamiti ca |
paricchinnāmevaṃ tvayi pariṇatā bibhrati giraṃ
na vidmastattattvaṃ vayamiha tu yat tvaṃ na bhavasi || 26 ||

trayīṃ tisro vṛttīstribhuvanamatho trīnapi surān
akārādyairvarṇaistribhirabhidadhat tīrṇavikṛti |
turīyaṃ te dhāma dhvanibhiravarundhānamaṇubhiḥ
samastaṃ vyastaṃ tvāṃ śaraṇada gṛṇātyomiti padam || 27 ||

bhavaḥ śarvo rudraḥ paśupatirathograḥ sahamahān
tathā bhīmeśānāviti yadabhidhānāṣṭakamidam |
amuṣmin pratyekaṃ pravicarati deva śrutirapi
priyāyāsmaidhāmne praṇihita-namasyo_smi bhavate || 28 ||
namo nediṣṭhāya priyadava daviṣṭhāya ca namaḥ
namaḥ kṣodiṣṭhāya smarahara mahiṣṭhāya ca namaḥ |
namo varṣiṣṭhāya trinayana yaviṣṭhāya ca namaḥ
namaḥ sarvasmai te tadidamatisarvāya ca namaḥ || 29 ||

bahula-rajase viśvotpattau bhavāya namo namaḥ
prabala-tamase tat saṃhāre harāya namo namaḥ |
jana-sukhakṛte sattvodriktau mṛ_āya namo namaḥ
pramahasi pade nistraiguṇye śivāya namo namaḥ || 30 ||

kṛśa-pariṇati-cetaḥ kleśavaśyaṃ kva cedaṃ kva ca tava guṇa-sīmollaṅghinī
śaśvadṛddhiḥ |
iti cakitamamandīkṛtya māṃ bhaktirādhād varada caraṇayoste vākyapuṣpopahāram || 31 ||

asita-giri-samaṃ syāt kajjalaṃ sindhu-pātre sura-taruvara-śākhā lekhanī
patramurvī |
likhati yadi gṛhītvā śāradā sarvakālaṃ tadapi tava guṇānāmīśa pāraṃ na yāti
|| 32 ||

asura-sura-munīndrairarcitasyendu-mauleḥ grathita-guṇamahimno
nirguṇasyeśvarasya |
sakala-gaṇa-variṣṭhaḥ puṣpadantābhidhānaḥ ruciramalaghuvṛttaiḥ
stotrametaccakāra || 33 ||
aharaharanavadyaṃ dhūrjaṭeḥ stotrametat paṭhati paramabhaktyā śuddhacittaḥ
pumān yaḥ |
sa bhavati śivaloke rudratulyastathā_tra pracuratara-dhanāyuḥ putravān
kīrtimāṃśca || 34 ||
maheśānnāparo devo mahimno nāparā stutiḥ |

aghorānnāparo mantro nāsti tattvaṃ guroḥ param || 35 ||
dīkṣā dānaṃ tapastīrthaṃ ṅnānaṃ yāgādikāḥ kriyāḥ |

mahimnastava pāṭhasya kalāṃ nārhanti ṣo_aśīm || 36 ||
kusumadaśana-nāmā sarva-gandharva-rājaḥ
śaśidharavara-maulerdevadevasya dāsaḥ |
sa khalu nija-mahimno bhraṣṭa evāsya roṣāt

stavanamidamakārṣīd divya-divyaṃ mahimnaḥ || 37 ||
suragurumabhipūjya svarga-mokṣaika-hetuṃ
paṭhati yadi manuṣyaḥ prānjalirnānya-cetāḥ |
vrajati śiva-samīpaṃ kinnaraiḥ stūyamānaḥ

stavanamidamamoghaṃ puṣpadantapraṇītam || 38 ||
āsamāptamidaṃ stotraṃ puṇyaṃ gandharva-bhāṣitam |

anaupamyaṃ manohāri sarvamīśvaravarṇanam || 39 ||
ityeṣā vāṅmayī pūjā śrīmacchaṅkara-pādayoḥ |

arpitā tena deveśaḥ prīyatāṃ me sadāśivaḥ || 40 ||
tava tattvaṃ na jānāmi kīdṛśo_si maheśvara |

yādṛśo_si mahādeva tādṛśāya namo namaḥ || 41
ekakālaṃ dvikālaṃ vā trikālaṃ yaḥ paṭhennaraḥ |

sarvapāpa-vinirmuktaḥ śiva loke mahīyate || 42 ||
śrī puṣpadanta-mukha-paṅkaja-nirgatena
stotreṇa kilbiṣa-hareṇa hara-priyeṇa |
kaṇṭhasthitena paṭhitena samāhitena

suprīṇito bhavati bhūtapatirmaheśaḥ || 43 ||
|| iti śrī puṣpadanta viracitaṃ śivamahimnaḥ stotraṃ samāptam ||
Author: Puśpadantha

Referência:

· http://thegodshiva.blogspot.com/